A poesia é um rio que corre em mim, sempre em busca de suas nascentes.

Black Sabbath



Para fim de começo, Deus está morto!
Solitário, na idade da razão perdida.
Mesmo com a alma danificada, quis viver para sempre,
Ser um grande pai e dar paz de espírito,
Mas tornou-se um pária capelão pelas noites de neon,
Trocando crianças do mar por fugas ao céu ou inferno,
Desejando bem, aos que morrem jovens, sem dizer:

"Nunca diga morra!".

Seus filhos seguem por caminhos difíceis numa onda de choque.
Megalomaníacos, voltam a ser crianças numa dança aérea
Em busca de mulheres sujas e más que lhes abram um buraco no céu,
Fazendo-o um espiral de confusão em sonhos do amanhã.


Embriões de crianças sepultadas fecundam orquídeas podres,
Oferecidas em cornucópias durante funerais elétricos
Realizados sob o sol sonolento, escondido atrás do muro,
Onde habitam fadas que usam coturnos e correntes mágicas.
Dançam a St.Vitus, comem salada de ratos ao vapor de erva doce
E convergem o planeta Caravana à vila do sono,
Onde a paranoia é a rainha mágica e mãe que diz:

"Sabbra Cadabra".


O conflito entre homens de ferro e porcos de guerra explode,
Deixando todos os sintomas do universo sob advertências.
A mão da desgraça consagra o mundo perverso
E a loucura, finalmente, é aceita e abençoada.


É preciso matar-se para viver ou resistir à emoção do pecar.
E mais um sábado sangrento se aproxima dos seus filhos,
Fazendo o hoje olhar pro ontem, pensando em mudanças.
Metanfetaminas e o tortuoso destino os assombram,
Mas, mesmo todos dizendo que o sábado será negro,
Eles seguem, pois não acreditam na previsão do tempo;
E mesmo que seja, o negro sempre lhes cai muito bem.
É o traje perfeito para a realização da missa.

                “Black Sabbath”.

Ânimo


Eu não sinto ânimo para ouvir minha banda favorita
Eu não sinto ânimo para comer o churros da esquina
Eu não sinto ânimo para comer abará com café
Eu não sinto ânimo para ligar para a garota que me alucina
Eu não sinto ânimo para ver um filme do Almodóvar
Eu não sinto ânimo para fazer aquele suco colorido
Eu não sinto ânimo para noitadas de sextas
Eu não sinto ânimo para o apocalipse
Eu não sinto ânimo para surubas com intelectuais irlandesas
Eu não sinto ânimo com a casa nova
Eu não sinto ânimo com atrações mútuas no Badoo
Eu não sinto ânimo com o WiFi liberado
Eu não sinto ânimo com o festival de filmes iranianos
Eu não sinto ânimo com a nova temporada de Dexter
Eu não sinto ânimo com o cheiro de pão vindo da padaria
Eu não sinto ânimo com a chegada do Carnaval
Eu não sinto ânimo com o assassinato de políticos
Eu não sinto ânimo com o feriado prolongado
Eu não sinto ânimo em nada
Sinto apenas a animosidade da festa da vida
Sobre o meu cadáver fora de moda e ainda vivo.