Letrista, Poeta, Roteirista, Escritor e demasiadamente humano.

* Foto de autor desconhecido / Google

Vou deixar de ser maluco



Cansei de ser maluco; para mim basta!
Essa minha maluquice não me levou a nada.
Não vou mais gastar dinheiro com vinil e livros.
Nem tomar pílulas com chá para me acalmar.
Vou parar de usar camisas desbotadas, amarrotadas e rasgadas.
Vou vender minha guitarra e comprar um MP3 player.
Vou parar de entender o abstrato e desconstruir o concreto.
Vou parar de interpretar a vida e abandonar os sinais.
Farei as pazes com o seu Deus, mas sem intimidades.
Vou comprar uma cama e deixar de dormir na rede.
Não vou mais dançar nu, quando escutar Novos Baianos.
Nem dançar valsa bêbado, escutando West, Bruce & Laing.
Vou cortar o cabelo, tirar os piercings e encerrar as tatuagens.
Vou usar camisa de botão, loção pós-barba e beber socialmente.
Vou deixar de ser maluco; para ter uma nova alucinação.
 

$em depósitos - atual do inicio ao fim...

 
*Um poema antigo, feito para uma situação antiga que é muito mais antiga e sempre futura e atual!
 
 
$em depósitos
 
Não precisamos mais de roupas.
Não precisamos mais de comida.
Não precisamos mais de água.
Não precisamos mais de mantimentos.
Só precisamos de seus $entimento$. 
 
Os depósitos estão lotados, já não cabe mais nada.
Já no banco! sempre há espaço e cabe mais uns trocados.
Não mandem mais nada aos nossos depósitos.
Não temos mais espaço para caridades.
Mas apenas, por caridade: façam depó$ito$.
 
Não precisamos de mais itens de higiene.
Não precisamos de mais colchões.
Não precisamos de mais cobertores.
Não precisamos de mais remédios.
Só precisamos de seus $entimento$.