Uma hipnose me
abraçou na sala do cinema
quando vi aquela
mulher tão enérgica e tenaz
Entremeada à
loucura temática do filme
Ela — a loucura —
parecia não trajá-la
Ela — a mulher — apresentou-se
segura em si
e de tudo a sua
volta que a aprisionava
Em seus olhos, as
verdades que a vida lhe impôs
Em seu sorriso, as
esperanças que lhe restava
Em seus cabelos
negros, a maciez que merecia da vida
Eu pensei:
"Porra, eu quero tomar um porre e ler poesias com esta mulher"
Sua voz rouca, a
delicadeza dos traços, a beleza delgada e robusta
A percepção do
perseguidor invisível
A recepção do
telegrama do desequilibrio
A consciência de
que tudo pode estar perdido
Onde se perdeu
Leonor? Onde se achou?
Que loucura a
elucubrou e a levou?
Que loucura
desvendou a sua sanidade?
A loucura da
intensidade pela vida?
A loucura que a
sociedade não cogita?
Quais realidades
suas a seguravam entre nós?
Qual dos
devaneios atirou em sua alma
e a tirou dentre
nós para mantê-la sobre nós?
Que a brisa que
esvoaçou seus negros cabelos
pela derradeira
vez a tenha levado como pluma
a um refúgio no
Sol, onde o chumbo da vida não pesa mais.