A poesia é um rio que corre em mim, sempre em busca de suas nascentes.

Se você sobreviver?

 Se você sobreviver

o que fará quando tudo isto acabar?

Voltará a usar as outras máscaras

e a engolir sapos e comprimidos?

Manterá as mãos limpas

e os sonhos esquecidos?

Continuará a alimentar a fome

que sempre tem te corroído?


Será que todo o álcool em gel evaporado

servirá como antisséptico da sua alma?

Será que toda a água sanitária vertida

servirá para desinfetar a sua vida?

Será que toda a água e sabão utilizados

lavarão os resíduos tóxicos da sua mente?


Algodão doce, viagem, bariátrica

academia, separação, declaração

suicídio, voltar aos trilhos, estudos

débito, crédito, hippie, guru, família

solidão, isolamento, conexão

São tantas as opções!


Se você sobreviver

não continue sob a linha da vida

ou com o peso do (ré)viver

há um mundo podre e tosco lá fora

com algum canto para se adubar e florescer

Mas, se você sobreviver, só não se pergunte:

“E agora?!”. Saiba, indefectivelmente, o que quer fazer.

Minha solidão tem GPS


BARDOS BAIANOS - Mapeamento poético da Bahia




Imagine um projeto literário que visa catalogar e contar a história da Poética Baiana em sua macrorregião, por meio de seus próprios poetas, por meio de seus próprios versos, estrofes e peculiaridades. Imagine ter uma espécie de catálogo, no qual, se lendo, se pode ouvir as nuances, sotaques e cotidianos das mais de 20 regiões em que é dividida a Bahia? Pois bem, a Cogito Editora, está empenhada em realizar este marco, por meio do projeto BARDOS BAIANOS, que prevê mas não só prevê, pois já está trabalhando para a realização desta previsão publicar cerca de 1350 poetas baianos, em 27 antologias, das mais diferentes regiões do estado, uma para cada Território de Identidade, conforme metodologia desenvolvida pelo Governo do Estado da Bahia.

Findado com sucesso, este projeto tenderá a se tornar uma espécie de marco histórico literário dentro da poética baiana.

Poetas, articuladorxs, amantes, noivxs e esposxs da poesia e da cultura literária, não deixem de participar, colaborar, divulgar, fomentar esta ideia! Participem! Divulguem! Apoiem! Incentivem!

Bardxs BaianXs, poetas filhxs da puta! Saiam de suas alcovas, vistam suas armaduras e vamos para a guerra do saber!



Acessem as redes sociais, acompanhem as datas e as regiões. Façam parte desta história!

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Organizador geral – Ivan de Almeida
(71) 99220-5555

Coordenador local – Ualy Matos
(77) 98819-0740

E-mail do projeto: antologiapoeticabardosbaianos@gmail.com



***Música "acidental" feita especialmente por Marcelo Guerra (artista da terra)!

Black Sabbath



Para fim de começo, Deus está morto!
Solitário, na idade da razão perdida.
Mesmo com a alma danificada, quis viver para sempre,
Ser um grande pai e dar paz de espírito,
Mas tornou-se um pária capelão pelas noites de neon,
Trocando crianças do mar por fugas ao céu ou inferno,
Desejando bem, aos que morrem jovens, sem dizer:

"Nunca diga morra!".

Seus filhos seguem por caminhos difíceis numa onda de choque.
Megalomaníacos, voltam a ser crianças numa dança aérea
Em busca de mulheres sujas e más que lhes abram um buraco no céu,
Fazendo-o um espiral de confusão em sonhos do amanhã.


Embriões de crianças sepultadas fecundam orquídeas podres,
Oferecidas em cornucópias durante funerais elétricos
Realizados sob o sol sonolento, escondido atrás do muro,
Onde habitam fadas que usam coturnos e correntes mágicas.
Dançam a St.Vitus, comem salada de ratos ao vapor de erva doce
E convergem o planeta Caravana à vila do sono,
Onde a paranoia é a rainha mágica e mãe que diz:

"Sabbra Cadabra".


O conflito entre homens de ferro e porcos de guerra explode,
Deixando todos os sintomas do universo sob advertências.
A mão da desgraça consagra o mundo perverso
E a loucura, finalmente, é aceita e abençoada.


É preciso matar-se para viver ou resistir à emoção do pecar.
E mais um sábado sangrento se aproxima dos seus filhos,
Fazendo o hoje olhar pro ontem, pensando em mudanças.
Metanfetaminas e o tortuoso destino os assombram,
Mas, mesmo todos dizendo que o sábado será negro,
Eles seguem, pois não acreditam na previsão do tempo;
E mesmo que seja, o negro sempre lhes cai muito bem.
É o traje perfeito para a realização da missa.

                “Black Sabbath”.

Ânimo


Eu não sinto ânimo para ouvir minha banda favorita
Eu não sinto ânimo para comer o churros da esquina
Eu não sinto ânimo para comer abará com café
Eu não sinto ânimo para ligar para a garota que me alucina
Eu não sinto ânimo para ver um filme do Almodóvar
Eu não sinto ânimo para fazer aquele suco colorido
Eu não sinto ânimo para noitadas de sextas
Eu não sinto ânimo para o apocalipse
Eu não sinto ânimo para surubas com intelectuais irlandesas
Eu não sinto ânimo com a casa nova
Eu não sinto ânimo com atrações mútuas no Badoo
Eu não sinto ânimo com o WiFi liberado
Eu não sinto ânimo com o festival de filmes iranianos
Eu não sinto ânimo com a nova temporada de Dexter
Eu não sinto ânimo com o cheiro de pão vindo da padaria
Eu não sinto ânimo com a chegada do Carnaval
Eu não sinto ânimo com o assassinato de políticos
Eu não sinto ânimo com o feriado prolongado
Eu não sinto ânimo em nada
Sinto apenas a animosidade da festa da vida
Sobre o meu cadáver fora de moda e ainda vivo.